|
Ao contrário do que os livros de geografia teimam em ensinar, o Oiapoque não é o ponto mais ao norte do país. A descoberta foi divulgada em 1989, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isto também é o que quer provar um grupo de cavaleiros que partiu do atual ponto extremo norte - Monte Caburaí (Roraima) -, em 2003, em direção ao Arroio Chuí. Ontem, chegaram na cidade
Até agora o grupo já percorreu 6,4 mil quilômetros de estrada, passou por oito Estados e cerca de 150 cidades. Os parceiros de viagem - cinco cavalos crioulos, uma mula e um burro para levar as malas - ainda são os mesmos. O militar aposentado de Uruguaina, Juno Ubirajara Marsico, 52 anos, comprou os animais aqui no Estado e partiu para Caburaí há dois anos. Lá formou o grupo para a aventura.
Nas bruacas (malas de couro), levam roupas e comida do sul: arroz e charque. A cavalgada, batizada de Expedição Brasil, tem previsão de terminar no fim de agosto, no extremo sul. Os participantes estão divulgando os pontos extremos do país e valorizando a cultura gaúcha e o cavalo típico do Rio Grande do Sul.
O grupo, formado por dois gaúchos e três irmãos roraimenses, faz a viagem pilchado. Eles chegaram na terça-feira a Itaara onde almoçaram e passaram a noite. Os viajantes foram a atração do aniversário do CTG Querência do Pinhal. Houve até missa crioula para homenageá-los.
- Pedimos uma boa viagem e que eles cheguem ao destino - disse o patrão Cezar Stock.
Na bagagem, muitas histórias para contar 
Ontem pela manhã, eles participaram de uma cavalgada em Santa Maria e foram para a Estância do Minuano, onde montaram acampamento para passar a noite. Hoje, eles seguem viagem em direção o Arenal e vão pernoitar na Fazenda do Verde, a três quilômetros do balneário. Depois de um ano e meio longe de casa, os aventureiros têm muitas histórias para contar.
- Na região de Corumbá (MS), nunca tinha visto tanto jacaré e mosquito pernilongo. Tinha de pedir licença para passar - diz João Neto de Souza Silva, 19 anos.
- No Pantanal matei cerca de 30 piranhas a facão - conta o irmão dele, Giliar Silva.
Quando chegarem ao Chuí, os viajantes vão retirar a ferradura dos cavalos, que é trocada a cada 30 dias, e soltá-los no campo.
|